Obras de infraestrutura para o Mundial movimentam a cadeia da construção civil, aquecem o setor mineral e reforçam o papel estratégico da brita na execução de estádios, rodovias, aeroportos e sistemas de transporte
A Copa do Mundo de 2026, realizada nos Estados Unidos, Canadá e México, mobilizou investimentos bilionários em infraestrutura esportiva e urbana. E ainda movimenta com o evento em andamento. Embora boa parte dos estádios já estivesse pronta, os três países promoveram ampliações e modernizações em rodovias, aeroportos, sistemas de transporte público e instalações de apoio, mantendo aquecida a demanda por concreto, asfalto e agregados da construção civil.
Para empresários que atuam no setor, megaeventos esportivos evidenciam a importância estratégica do nicho de agregados, considerado a base da infraestrutura moderna. “Sem brita, areia e outros materiais minerais, obras de mobilidade, saneamento, edificações e equipamentos esportivos simplesmente não saem do papel”, afirma Pedro Salgueiro, integrante da diretoria da Granorte, sediada em Bacabeira (MA), empresa especializada na produção de agregados para a construção civil,
De acordo com Pedro Salgueiro, a brita é um insumo indispensável para praticamente todas as grandes obras de infraestrutura. “Quando falamos em rodovias, aeroportos, viadutos, sistemas de drenagem ou estádios, estamos falando de empreendimentos que dependem diretamente de agregados de qualidade. A brita está presente desde as fundações até a pavimentação final”, destaca.
Enquanto os holofotes se voltam para os craques em campo, uma cadeia produtiva pouco lembrada desempenha papel fundamental para o sucesso da competição. Das pedreiras aos estádios, a brita é um dos insumos que sustentam, literalmente, a realização de uma Copa do Mundo.
Por possuir baixo valor agregado por tonelada e alto custo de transporte, a brita é produzida, em geral, próxima aos centros consumidores. Essa característica faz com que grandes obras de infraestrutura movimentem diretamente as pedreiras instaladas nas regiões onde os investimentos são realizados, gerando empregos e impulsionando transportadoras, fornecedores de equipamentos e empresas de serviços especializados.
Setor aquecido antes, durante e depois do Mundial
Para Salgueiro, megaeventos esportivos também servem como um indicador da importância estratégica da mineração para o desenvolvimento econômico. “A construção civil é uma das primeiras atividades a responder aos ciclos de investimento em infraestrutura, e isso se reflete imediatamente na demanda por agregados. Toda grande obra começa na mineração”, explica.
Os efeitos da Copa sobre a mineração começam muitos anos antes do primeiro jogo. A preparação para um Mundial normalmente se inicia entre cinco e sete anos antes da competição, período em que governos e iniciativa privada intensificam investimentos em infraestrutura urbana e ampliam o consumo de materiais básicos para a construção.
O legado para o setor mineral também vai além do encerramento do torneio. A expansão da capacidade produtiva, a modernização das operações e a instalação de novas plantas industriais costumam permanecer como herança econômica das obras realizadas.
A experiência brasileira durante a preparação para a Copa do Mundo de 2014 ilustra esse cenário. Na ocasião, dezenas de empreendimentos, como estádios, aeroportos, corredores de transporte e intervenções viárias, dependeram do fornecimento contínuo de agregados minerais para cumprir os cronogramas de execução.
Segundo o diretor da Granorte, a experiência brasileira demonstrou como o planejamento de longo prazo influencia toda a cadeia produtiva. “As pedreiras precisam se preparar com antecedência para atender volumes elevados de fornecimento. Isso exige investimentos em equipamentos, capacidade operacional, logística e controle de qualidade, garantindo que as obras avancem dentro dos cronogramas previstos”, afirma.
Além das arenas esportivas, obras de drenagem, fundações, túneis, pontes, estacionamentos e vias de acesso consomem grandes volumes de brita de diferentes granulometrias, tornando o setor mineral um dos primeiros elos da cadeia econômica beneficiados pelos investimentos.
“Mesmo antes do apito inicial da Copa de 2026, a preparação para o torneio movimentou uma ampla cadeia produtiva. Cada obra certamente consumiu milhares de toneladas de brita, areia e outros agregados minerais, matérias-primas indispensáveis para a produção de concreto e pavimentação”, complementou Pedro Salgueiro.
Segundo especialistas do setor, aproximadamente 80% do volume do concreto é composto por agregados minerais. Nas obras de pavimentação, a brita também representa a maior parte dos materiais empregados. Como consequência, grandes eventos esportivos elevam significativamente a demanda das pedreiras e mineradoras responsáveis pelo abastecimento da construção civil.
Salgueiro ressalta ainda que, embora seja um produto muitas vezes invisível para a população, a brita está presente em praticamente toda a infraestrutura urbana. “As pessoas enxergam o estádio pronto, a rodovia concluída ou o aeroporto ampliado, mas poucas percebem que tudo isso só foi possível graças aos agregados minerais. Eles são a base física sobre a qual toda a infraestrutura é construída”, observa.
A Copa do Mundo, sem dúvida alguma, demonstra que seu impacto econômico vai muito além do esporte. Antes da festa nos estádios, existe uma extensa cadeia produtiva que começa nas pedreiras e fornece os materiais essenciais para transformar projetos em infraestrutura, deixando um legado que permanece mesmo após o apito final.
Para a Granorte, o legado de grandes eventos como a Copa do Mundo vai além das arenas esportivas. O aumento da demanda por agregados evidencia a importância de um setor que abastece obras essenciais para o desenvolvimento urbano e econômico. “A mineração de agregados acompanha o crescimento das cidades. Sempre que há investimento em infraestrutura, há necessidade de brita, areia e outros materiais minerais. É uma cadeia que gera emprego, renda e desenvolvimento regional”, conclui Pedro Salgueiro.
